Objetivos gerais

  1. Criar um mercado local de alimentos orgânicos, agroecológicos e do Cerrado.
  2. Aproximar os consumidores e os produtores de orgânicos, no intuito de criar um elo transparente e uma ponte entre eles.
  3. Contribuir na conscientização do consumidor em relação ao valor nutricional, dos benefícios e da qualidade do alimento orgânico.
  4. Criar um comércio justo e solidário.
  5. Criar um empreendimento como um organismo vivo (um empreendimento sistêmico).

Breve histórico sobre a situação do mercado de alimentos orgânicos:

A produção brasileira de alimentos orgânicos é altamente impulsionada pela grande demanda de alimentos de qualidade na Europa e nos Estados Unidos e se concentra em produtos típicos de exportação como açúcar, café, suco de laranja, cacau, etc.

As duas maiores empresas produtoras de alimentos orgânicos em Goiás, são a Goiasa e a Jales Machado, que produzem açúcar orgânico exclusivamente para exportação.

Os pequenos produtores não têm acesso a estes mercados porque não plantam em grande escala e não atendem às exigências logísticas, burocráticas e organizacionais.

  1. Criar um mercado local de alimentos orgânicos, agroecológicos e do Cerrado.

Com a criação de lojas especializadas em alimentos orgânicos nas cidades brasileiras caminhos são abertos para:

  • Iniciar mercados locais de orgânicos;
  • Aumentar o escoamento da produção dos pequenos produtores;
  • Oferecer alimento orgânico para o consumidor. A Cerrado Alimentos Orgânicos é praticamente o único ponto de venda em Goiânia onde se pode comprar açúcar cristal orgânico da Goiasa.

É importante lembrar que os grandes mercados europeus tiveram suas origens em pequenas lojas especializadas em produtos orgânicos que surgiram nos anos 70 e 80 em várias cidades europeias.

Os países onde este movimento mais prosperou foram a Alemanha, a Áustria, a Holanda, a Dinamarca, a Suíça, a Itália e a Califórnia.

São ainda hoje os principais mercados de orgânicos no mundo. Só nos anos 1990 os supermercados da Europa e dos Estados Unidos começaram a vender e a lançar marcas próprias de orgânicos, e a partir dos anos 2000 começaram a surgir supermercados só de orgânicos.

Esta sequência de crescimento é uma relação lógica, especialmente se considerarmos que o mercado dos orgânicos depende diretamente da conscientização e da vontade do consumidor de comprar produtos orgânicos.

Nas feiras e nas lojas especializadas existe um espaço muito amplo, intenso e permanente de discussão entre produtores, consumidores e vendedores especializados.
Muito mais que no supermercado e no mercado de exportação em que as relações são técnicas.

Essa discussão e confrontação podem ser consideradas a base da conscientização do consumo consciente. O marketing educativo é um ponto central da loja.

  • Aproximar os consumidores e os produtores de orgânicos, no intuito de criar um elo transparente e uma ponte entre eles.

Nos supermercados convencionais, muitas vezes, o consumidor não consegue identificar a origem de um produto. Não se sabe se um tomate foi plantado na beira de um córrego poluído ou quanto agrotóxico ele recebeu. Pode-se falar de um consumo anônimo.

Na loja especializada em produtos orgânicos, a intenção é de esclarecer e levar as informações ao consumidor, como foi produzido e de onde vem o que é comercializado, de qual fornecedor é, de que maneira foi plantado e com qual altitude e intenção ele foi semeado.

Com essa finalidade, a Cerrado Alimentos Orgânicos, convida frequentemente, produtores locais a exporem seus produtos nas duas feiras semanais na loja, onde vendem diretamente aos consumidores.

Nessas vendas a loja não ganha de forma direta, já que não cobra nada pela utilização do local, porém como o fluxo de clientes aumenta nestes dias a loja vende em média 50% a mais que nos outros dias.

Com frequência comparecem à feira, os produtores Pietro Quadri, Sinandia, Néri, Fátima, da Associação para o Desenvolvimento de Agricultura Orgânica no Goiás (ADAO) e da Vale Vivo (a associação do município de Terezópolis) e os pães, bolos e cookies da Marli, Rose, Vilma e Aparecida Maria também associadas à Adao.

– A feira ocorre todas as terças e quintas das 15 às 18 horas.

Em relação aos produtos da loja, que são em sua maioria secos, de fornecedores de outros estados, o elo, a confiança do consumidor no produtor, são construídos através das certificações, material de informações, fotos e folhetos sobre as fazendas e das áreas de produção.

Nós mesmos, como comerciantes procuramos encontrar e criar relações pessoais com nossos fornecedores em eventos nacionais e regionais, feiras de agricultura orgânica ou familiar onde discutimos, observamos e acompanhamos os fornecedores em muitas ocasiões ao longo dos anos.

Este contato pessoal entre comerciante e produtor e comerciante e consumidor dá à loja especializada, uma qualidade de comercialização específica.

Todos os dias os clientes questionam de onde vêm os alimentos, como eles são plantados se são sem agrotóxico, se são realmente orgânicos, como funciona a certificação, quais alternativas os clientes têm com alergias específicas, o que é bom para emagrecer, prisão de ventre, dor de cabeça, e muito mais…

Inúmeras pessoas compram os produtos orgânicos para pacientes com doenças degenerativas ou com câncer.

  1. Contribuir na conscientização do consumidor em relação ao valor nutricional, dos benefícios e da qualidade do alimento orgânico.

O alimento é a base da nossa saúde. Através da ingestão dos alimentos entramos em uma interação substancial com o meio ambiente.

No livro Anticâncer, o médico David Servan-Schreiber – ele mesmo sobrevivente de um câncer de cérebro – menciona uma pesquisa na qual compara a taxa de câncer entre filhos biológicos e adotivos: “A conclusão, publicada na maior revista de referência em medicina, o New England Journal of Medicins, nos obriga a modificar todas as nossa perspectivas sobre o câncer: herdar genes de pais biológicos mortos de câncer antes dos 50 anos não tem nenhuma influência sobre o risco de a própria pessoa desenvolver um câncer.

Por outro lado, a morte por câncer do pai adotivo (que não transmite nenhum gene, mas transfere seus hábitos de vida) multiplica por cinco o risco da pessoa também morrer de câncer .

Esse estudo mostra que são exatamente os hábitos de vida, e não os genes, os principais implicados na suscetibilidade ao câncer.

Todas as pesquisas sobre o câncer concordam: os genes contribuem no máximo com 15% para a mortalidade do câncer”[1] (p. 15).

A alimentação saudável, exercícios físicos, um ambiente limpo e uma vida emocional equilibrada são indispensáveis para o nosso bem estar.

Segundo Elaine de Azevedo (2006)[2] “Torna-se de fundamental importância capacitar e sensibilizar o consumidor de produtos orgânicos, pois ele constitui-se em um dos principais elos da cadeia produtiva agroecológica e tem um papel central na definição e na disciplina do mercado de alimentos.” (p. 107) e um pouco depois ela fala que as informações devem ser veiculados junto aos produtos.

  1. Criar um comércio justo e solidário.

A atividade da Cerrado Alimentos Orgânicos partiu de nossa participação como consumidores na ADAO, onde sempre tivemos uma relação próxima aos produtores de orgânicos da região no entorno de Goiânia.

Com o esforço de participar de várias feiras para escoar a produção, os produtores sofrem um permanente desgaste e não conseguem se concentrar nas necessidades das fazendinhas.

Nosso objetivo é de manter esta proximidade com os produtores para atender suas necessidades e contribuir para o aprimoramento da produção e da comercialização.
Acompanhamos a certificação em grupo organizado pela ADAO e somos cooperados fundadores da Cooperativa “Goiás Orgânico” constituída em 31 de outubro 2009.
Ao mesmo tempo procuramos manter preços baixos e justos para os consumidores.

  1. Criar um empreendimento como um organismo vivo (um empreendimento sistêmico).

A planta é profundamente integrada no ambiente. As raízes penetram a terra, as folhas se abrem para o calor, a luz do Sol e o ar, efetuando a fotossíntese. O pólen aproveita o vento para ser distribuído. A saúde e a vitalidade da planta dependem diretamente do ambiente, da biodiversidade e do cuidado do produtor.

Por outro lado, a qualidade do alimento depende também da pessoa que o prepara.

Para manter a vitalidade do alimento, do plantio até nosso prato, temos que processar, embalar o alimento com muito cuidado e comercializá-lo e distribuí-lo num ambiente vivo.

Vários autores consideram nossa sociedade e as organizações que nelas existem, como as empresas, como organismos ‘vivos’. Entre eles se encontra Fritjof Capra, que em “A Teia da Vida”, propõe uma visão sistêmica.

Para realizar esta visão em nosso trabalho, evitamos as estruturas hierárquicas entre as lojas e entre as pessoas que nelas trabalham.

[1] Anticâncer, prevenir e vencer usando nossas defesas naturais, David Servan-Schreiber, Ed. Fontanal, 2007.
[2] Alimentos Orgânicos, ampliando os conceitos de Saúde Humana, Ambiental e Social, Elaine de Azevedo, Ed. Unisul, 200